Fazendo poesia em cada canto do ponto de vista dos diversos ângulos.
domingo, 3 de novembro de 2013
Desbotando
Nem aguardei num cartão poesia, pois
de ti esperava qualquer prosa
que me explicasse depois
o motivo de entregar-me esta rosa.
Chegou-me assim:
meio desbotada, talvez dissimulada,
um pouco de tudo e de cada
para combinar com a essência
do tudo e do pouco que recebeste de mim.
Pétala a pétala, dia a dia
semana a semana, mês a mês...
Com toda graça se esvaía
o amor que um dia se fez.
Despedindo-se com a leveza
de cada brisa a soprar.
Como poderia eu não ver beleza
naquele adeus tão singular?
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Até amo
Até amo teu olhar me atando como um laço
Até amo teu dom de conter as lágrimas e secar as minhas
Até amo nosso encanto nas entrelinhas
Até amo isso tudo que é teu
Até amo a ilusão de isso tudo ser meu
Até amo, sim
Até amo a ideia de te ter só pra mim.
domingo, 1 de setembro de 2013
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Um olhar, um lar, um par
Com aquele olhar
ingenuamente
quis formar um par
que fosse diferente
de quem apenas diz amar.
Quem sabe por meio dele até flutuar
assim, sem pretenção
partir para algum lugar
só nós e um violão.
E àquele olhar
sempre pertencer.
Desespero seria vê-lo migrar
para outro olhar que lhe possa fazer
melhor e ser como um lar.
Eis que lá vem o olhar,
trazendo de volta o sorriso,
transformou-se num abrigo,
inspirando felicidade no próprio ar
que respiro.
terça-feira, 30 de abril de 2013
(05) Futuro do Pretérito
- Mônica, cadê você?
Eu estava no nosso quarto, sentada na cama, comendo morango com chantilly como se não houvesse o amanhã, vestindo aquela camiseta dos Beatles que lhe dei como presente de namoro e você se negava a usar por ser branca, ou ao menos era o que me contava. Me abraçou como todos os dias com o carinho natural e costumeiro dizendo que havia sentido saudades.
- Como foi o dia? - indaguei.
- Podemos não falar sobre isso? - disse, demonstrando exaustão no olhar. - O que importa é que cheguei em casa.
- Pare com isso! Vai me assustar. E me conte como foi o dia.
Deitou-se no meu colo e suspirou, dizendo:
- Aquele setor está cada vez pior, o chefe pegando no pé, os colegas cuidando a vida dos outros, etc e tal. Mas, você sabe, não posso largar tudo de mão, dia 5 as contas estão aí de novo...
A partir de então apenas percebia os movimentos dos seus lábios, não por desinteresse, porém preferi dar atenção às muitas rugas que sempre se formavam na sua testa quando você ficava preocupado com esses assuntos da vida adulta, eu tentando desmanchar as dobras da testa com os dedos em movimentos leves, disse que tudo ficaria bem, já havíamos passado por fases piores. Você consentiu e prometeu que procuraria um emprego melhor. Eu gostaria de ter algo decente para responder, assim como você costumava me acalmar e cuidar de mim quando eu surtava, mas você sabe fazer isso tão bem e eu não tenho esse dom.
Permanecemos pois, silenciosamente, por horas. Até que um de nós ou ambos adormeceu. Recordo-me vagamente de acordar com dor no pescoço por ter dormido de mal jeito e você já estava ali me observando:
- Preciso ir trabalhar, te amo. - deu-me um beijo na testa, outro nos lábios e retirou-se; sem esperar resposta alguma por já ter aceitado o fato de eu ter medo de me entregar fácil, mesmo que passem-se décadas que estamos juntos.
Confesso: quis responder, dizer que o amo também, mas não pode ser amor, amor é difícil, é estranho, é confuso. O que sinto é leve e tranquilizador. E acreditar no amor nunca me pareceu fácil. Pelo contrário, fugia dele como os gatos fogem da água. Só que quando um sentimento - tenha ele o nome que for - é maior do que qualquer receio? E quando este nos dá segurança e vontade de caminhar de mãos dadas com uma única pessoa até o fim de tudo? E quando nos traz paz ao invés de inquietação? É possível fugir quando o Universo aparenta conspirar a nosso favor?
Prometi que essa seria uma das muitas vezes que minha certeza de que você sempre foi a pessoa certa pra mim fosse reafirmada. Também que jamais esqueceria da sua voz e do seu cheiro, menos ainda do seu beijo e de como seu olhar se dirigia a mim.
Apesar de tudo, dizer um "eu te amo" nunca me pareceu o suficiente para explicar. O "eu te amo" é tão plástico e banal... Para conseguir expressar a vontade que eu tinha de te ter sempre por perto, não importava se estivesse chovendo ou com sol, fazendo frio ou calor. Não importava se fosse na Redenção, no Marinha, assistindo o Pôr-do-Sol ou na Groenlândia. Somente a certeza de que eu te teria ali, nas minhas mãos, me encorajava a enfrentar o trânsito das 7 da noite ou até dormir sem meias no frio de agosto.
Inclusive naquele feriado frio, escuro e ventoso no qual de repente deixamos nosso filme e pipoca de lado para pegar a freeway sem destino, embora todos estivessem retornando da praia e ter dado tudo errado no final, nada poderia ter me feito mais feliz do que a tua companhia.
O que temos agora? Lembranças, lembranças do que há de vir.
sábado, 16 de março de 2013
(04) Minha doce esquizofrenia
Num dia tão chuvoso e estranho como o de hoje, havia esquecido o guarda-chuva (isso é o que dá querer ser rebelde). Voltava para casa debaixo daquele pé-d'água quando ele surgiu se oferecendo para me acompanhar até minha casa, com o seu guarda-chuva, sem ao menos questionar meu nome ou se tinha namorado, se morava sozinha ou minha idade. Nada. Não tive medo, pois o rapaz havia me transmitido tanta confiança que me impossibilitou suspeitar de sua boa índole.
Ao chegar no meu apartamento, deixei-o entrar e ofereci um café, afinal tinha sido um gesto muito notável de sua parte. Sentei-me na poltrona próxima à janela de vidro para assistir os pingos de chuva caindo e ele acomodou-se no sofá. Passamos horas conversando sobre o dia terrível que fora aquele e como a vida andara complicada. Depois de algum tempo ele foi embora e agradeci por sua gentileza. Desde então, ele costumava aparecer nos momentos em que eu mais precisava de alguém para ouvir, de conselhos, de um ombro amigo... Alguém com quem eu podia contar nas melhores e piores situações.
Conversávamos sobre tudo, exceto o que eu preferia não contar a fim de evitar desapontá-lo. Não desejaria causar o mal de quem me fizera tão bem.
Apenas peço que não encha seus olhinhos de corações, caro leitor. Essa história está bem longe de ser um romance, nem se eu quisesse, nem se ambos quiséssemos. "Amigos, amigos... Negócios à parte." E o amor é um negócio complicado, tão complicado que me causa arrepios só de pensar em me 'enfiar' num caso assim.
Enfim, a vida proporciona tantos desencontros que ultimamente o vejo só de longe andando por aí, aguardando o semáforo fechar para atravessar a rua ou quando o encontro nas minhas lembranças.
De qualquer forma, o tempo pode passar e a distância aumentar cada vez mais, no entanto tenho certeza que o carinho e a gratidão permanecerão intactos, guardados a sete chaves.
Seu nome? Permito ao leitor que escolha a partir de sua preferência. O nome do avô, do cantor preferido, do jogador de futebol... Acredito que o nome de pouca influência será.
Se isso tudo realmente aconteceu? Meu querido leitor, esta que lhe escreve há tempos perdeu a noção do que é real e do que é imaginário. Vai ver criei isso tudo mesmo. Porém, duvido que minha imaginação pudesse ser tão doce comigo mesma.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
(03) Culpe a... Segunda-feira? / Simplifica!
Hoje à tarde, ao chegar no serviço, Pablo me perguntou como estava, automaticamente respondi que estava "bem" com o entusiasmo não tão intenso como o de costume. Por quê? Talvez seja o mal de toda segunda-feira. Sim! Ela, a culpada pelos olhares rancorosos e caras emburradas; ela, a causadora das discórdias de início de semana, da preguiça, da falta de vontade, da insatisfação. Pelo menos, é o que todo mundo diz, a desculpa que todo mundo dá. Quiçá a "Segunda-feira" não seja o motivo de tanta desgraça, não comigo.
Na verdade, logo após ser questionada, fiquei em completo estado de dúvida. Eu não estava bem, não mesmo. Ainda assim, desconheço as razões para isso.
A vida tem andado num ritmo progressivo, contudo há um vazio por dentro, um abismo profundo e escuro que dá medo de olhar, e é difícil de entender. Doideira total, sim ou claro?
Se me aparecesse um gênio da lâmpada, pediria a ele - sem hesitar - que simplificasse as coisas por aqui. Os sentimentos confundem mais do que deveriam, dificultam, enredam... no final das contas, ainda faltam palavras para explicá-los e neurônios para compreendê-los.
Quem sabe minha sede de simplicidade se deva ao fato de haver complicações demais dentro de mim.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
(02) O secretário
- Mônica, o que acha...? - tentou perguntar-me o secretário do Dr. Amorim.
- Não posso, desculpe. - interrompi.
- Só ia te convidar para um café depois do trabalho.
- Não vai dar, mesmo. - procurei uma desculpa qualquer, mas não sei mentir direito.
- Amanhã, então? - fitou-me, esperando por uma resposta positiva.
- Olhe, moço...
- Pablo.
- Então, Pablo, é muito gentil da tua parte, mas acho melhor não.
- Ok, tudo bem. Desculpe incomodar. - deu-me às costas.
Permaneci ali, observando-o, estarrecida com o meu mal comportamento. Reparei que o terno dele era com risca de giz, quase sob medida, de muito bom gosto. As horas passavam e eu mal podia conter minha vontade de saber o que Pablo queria comigo.
Senti-me péssima pela maneira como tratei o rapaz, até porque ele sempre fora gentil comigo. Logo eu que nunca soube dizer 'não' às pessoas. Como pude ser tão cruel? Está bem, não foi crueldade. No entanto, quantas vezes eu disse 'não' naquela conversa que sequer durou trinta segundos? Três vezes? TRÊS vezes. Meu Deus! Um 'não' a cada dez segundos, em média. Foi maldade sim. (Preciso de terapia, urgente!)
No dia seguinte, Pablo atrasou-se uns 10 minutos, com terno, rosto e cabelo molhados da chuva. Deu-me bom dia e sorriu, como de costume. Os olhos são castanho-esverdeados e o cabelo é castanho, um pouco mais escuro que o meu. Nunca me detive a esses detalhes.
A curiosidade continuava a me consumir (se faz necessário dizer que a curiosidade é um grande defeito meu?). Decidi que me retrataria com ele. Esperei que saísse para pagar contas, e deixei um bilhete em cima de sua mesa, junto com a papelada de um processo de inventário de bens, com os seguintes dizeres: "Saímos daqui às 19hs em ponto. Cafeteria da esquina."
Fomos à cafeteria debaixo de chuva. Descobri que Pablo é bem menos reservado fora do escritório. O que ele queria comigo? Bem, primeiro de tudo, respirei aliviada ao saber da existência de sua namorada, Júlia. Não suportaria lidar com um relacionamento desse gênero no momento e também não queria dizer mais um 'não' ao moço.
Ele queria conversar com uma mulher mais cabeça-no-lugar (eu, cabeça-no-lugar? Ok.), pois sua sogra está com câncer e precisava de conselhos para conseguir dar apoio do modo correto à sua namorada. Fiz o possível, também não sei o que dizer a uma pessoa como encarar o câncer, além de que existem bons médicos e tratamentos eficazes.
Lógico que ele estuda Direito, está no último semestre, toca violão, gosta dessas músicas antigas como eu, mas prefere Rolling Stones a Led Zeppelin. Vai entender... Combinamos de um dia desses fazer um jantar para que ele possa me apresentar apenas sua namorada e sogra, visto que seus pais vivem em Santo Antônio da Patrulha.
Foi, de fato, um dia produtivo e exaustivo. Há muito tempo não socializava com alguém, e não me caiu pedaço algum.
Para concluir, Amélie e eu escutamos o LP Waiting for the Sun do The Doors, na esperança de que a chuva se vá amanhã.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
L'avenir
Traz receio e ansiedade
sem dó nem piedade.
Vez por outra surpreende,
positiva ou negativamente.
Aliás, sinto informar:
a segunda prevalece.
Não há como mudar,
não adianta fazer prece.
Custa tanto a chegar,
quando chega já é presente.
Passa; sequer fica para o jantar.
A satisfação almejada não se sente.
O futuro contorna
e sai de cena.
Se transforma
no passado que condena.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Não mais
Desaprendi a falar sobre o amor sem que isso me cause dor. Esqueci como é associar o romance com algo que não me faça te lembrar. Desacreditei, desiludi, desapeguei. Desapeguei? Não sei. Só sei que desse tal de amor prefiro passar a milhas e milhas de distância. Que ele cruze a esquina em frente à sorveteria da rua de baixo, mas não entre no meu quarto. Não mais.





