domingo, 6 de janeiro de 2013

(01) Na Padaria, Apresentação, Mães


- Bom dia! Dois croissants de goiabada, por favor. 
- Você prometeu que começaria a fazer exercícios e que largaria essa vida de consumismo calórico, dona moça. O que será de você daqui alguns anos?
- Ora, que loucura! Se fizesse isso, perderia a grandiosa oportunidade de saborear a melhor massa folhada da cidade, caro amigo. - sorri.
- Modéstia à parte... - pigarreou - mas, não quero ter mais uma cliente gorda. - falou sussurrando para não ofender a senhora do caixa. 
- Pois saiba que só lamento por você. Tenha um bom dia.


O padeiro é quem me proporciona as risadas matinais. Não entendo como consegue ser simpático e sorridente às 7 da manhã, todas as manhãs. 
Que indelicadeza não me apresentar, mamãe me repreenderia. Pois bem, me chamo Mônica, tenho 20 anos, estudo Direito (por escolha da família, acabei aceitando por parecer garantir o futuro) e estagio em um escritório. Sonhava mesmo em estudar História ou Letras, ou ambos. Moro com meus vinis, livros e uma gata chamada Amélie (porém, não Poulain), no centro de Porto Alegre, nasci aqui. Minha mãe se mudou para Gramado  com minha irmã caçula, Anita, de 13 anos, tempos depois que me pai faleceu, há 2 anos atrás (particularmente, considero a apresentação entediante, pulemos).
Com tanto trabalho e estudo, estou sempre com a cabeça cheia, me preocupando com assuntos banais outros não tão banais assim, criando rugas desnecessárias. Quem me dera ser tranquila como o padeiro, mas só em pensar na roupa social, salto alto, nos casos a serem estudados, nas provas, trabalhos e projetos, nas audiências por assistir, papéis e mais papéis, contas a pagar... já cansei. Apenas aguardo ansiosamente chegar em casa, escutar um LP qualquer, o ronrom da gata, colocar os pés de molho em água morna e tomar um chá de maçã com canela, observando o céu nublado, porque hoje o dia está tão cinza quanto o centro da cidade. Dias de outono não deveriam ser assim.
Talvez você esteja se perguntando "onde está o romance?". Detesto decepcioná-lo, prezado leitor, entretanto não há um Eduardo para esta Mônica, o mais próximo disso é quando Anita vem pra cá nas férias para poder enviar atualizações completas da minha vida à mamãe. 
Mães, elas nunca acreditam se dizemos que está tudo bem, precisam investigar até obterem respostas satisfatórias. E, na verdade, nunca está TUDO bem, é impossível ficar tudo bem no mundo-selva em que vivemos. Mães sabem disso, sempre sabem. Sinto falta de tê-la por perto, do seu colo quando a vida decepcionava.

Nenhum comentário:

Postar um comentário