quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

                   
Ah, se a mim apenas palavras coubessem
se elas chegassem sem expectativas de dizer
se governassem meu ser
se eu em vitrola me transfizesse

Apenas proferir seria meu dever;

sentir com pele, mãos, lábios e coração
sentir o tom e o dom da canção,
a tal não me poderia conceder.

Fui concebida não em verbo,

pronome, adjetivo e locução.
Vim a ser por calor e emoção
uma poeira de universo.

Se o verbo é de mais proveito do que a sensação,

desisto desse mundo insípido.
Escolho a mim, meu eu invertido,
escolho ser essa singela concepção.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

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Faturamento
Poluente
Aquecimento
Inconsequente

Desmatam sem pena
Assassinam sem piedade
Esquivam-se da má cena
Mascaram a sociedade

Eles procuram a cura
Da gripe, da AIDS, do câncer
Ninguém pára nessa loucura
Ninguém tenta entender

Dói, realmente, perceber
Que o câncer veio deles
O câncer está neles,

O câncer está a nos envolver.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Inútil Precipitação


Perguntaram-me se eu tinha pressa no amor
respondi com classe e humor
que do mais puro amor
espero nada além do que possível for

Se amor crescesse apressado
as flores desabrochariam imaturas
o trem passaria adiantado
as frutas seriam colhidas prematuras

Se amor nascesse dum único olhar
a chuva sazonal desabaria sem parar
a carta de sua mãe demoraria a chegar
a música não mais lhe faria emocionar

Se precipitar tudo o que há fosse a saída
anteciparíamos a dolorosa partida
daquele grande amor pela avenida
e de quê teria valido a vida?

domingo, 3 de novembro de 2013

Desbotando


Nem aguardei num cartão poesia, pois
de ti esperava qualquer prosa
que me explicasse depois
o motivo de entregar-me esta rosa.

Chegou-me assim:
meio desbotada, talvez dissimulada,
um pouco de tudo e de cada
para combinar com a essência 
do tudo e do pouco que recebeste de mim.

Pétala a pétala, dia a dia
semana a semana, mês a mês...
Com toda graça se esvaía 
o amor que um dia se fez. 

Despedindo-se com a leveza 
de cada brisa a soprar.
Como poderia eu não ver beleza
naquele adeus tão singular?

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Até amo

Até amo o pôr do sol testemunhando nosso abraço
Até amo teu olhar me atando como um laço
Até amo teu dom de conter as lágrimas e secar as minhas
Até amo nosso encanto nas entrelinhas
Até amo isso tudo que é teu
Até amo a ilusão de isso tudo ser meu
Até amo, sim
Até amo a ideia de te ter só pra mim.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Um olhar, um lar, um par


Com aquele olhar
ingenuamente
quis formar um par
que fosse diferente
de quem apenas diz amar.

Quem sabe por meio dele até flutuar
assim, sem pretenção
partir para algum lugar
só nós e um violão.

E àquele olhar
sempre pertencer.
Desespero seria vê-lo migrar
para outro olhar que lhe possa fazer
melhor e ser como um lar.

Eis que lá vem o olhar,
trazendo de volta o sorriso,
transformou-se num abrigo,
inspirando felicidade no próprio ar
que respiro.