Num dia tão chuvoso e estranho como o de hoje, havia esquecido o guarda-chuva (isso é o que dá querer ser rebelde). Voltava para casa debaixo daquele pé-d'água quando ele surgiu se oferecendo para me acompanhar até minha casa, com o seu guarda-chuva, sem ao menos questionar meu nome ou se tinha namorado, se morava sozinha ou minha idade. Nada. Não tive medo, pois o rapaz havia me transmitido tanta confiança que me impossibilitou suspeitar de sua boa índole.
Ao chegar no meu apartamento, deixei-o entrar e ofereci um café, afinal tinha sido um gesto muito notável de sua parte. Sentei-me na poltrona próxima à janela de vidro para assistir os pingos de chuva caindo e ele acomodou-se no sofá. Passamos horas conversando sobre o dia terrível que fora aquele e como a vida andara complicada. Depois de algum tempo ele foi embora e agradeci por sua gentileza. Desde então, ele costumava aparecer nos momentos em que eu mais precisava de alguém para ouvir, de conselhos, de um ombro amigo... Alguém com quem eu podia contar nas melhores e piores situações.
Conversávamos sobre tudo, exceto o que eu preferia não contar a fim de evitar desapontá-lo. Não desejaria causar o mal de quem me fizera tão bem.
Apenas peço que não encha seus olhinhos de corações, caro leitor. Essa história está bem longe de ser um romance, nem se eu quisesse, nem se ambos quiséssemos. "Amigos, amigos... Negócios à parte." E o amor é um negócio complicado, tão complicado que me causa arrepios só de pensar em me 'enfiar' num caso assim.
Enfim, a vida proporciona tantos desencontros que ultimamente o vejo só de longe andando por aí, aguardando o semáforo fechar para atravessar a rua ou quando o encontro nas minhas lembranças.
De qualquer forma, o tempo pode passar e a distância aumentar cada vez mais, no entanto tenho certeza que o carinho e a gratidão permanecerão intactos, guardados a sete chaves.
Seu nome? Permito ao leitor que escolha a partir de sua preferência. O nome do avô, do cantor preferido, do jogador de futebol... Acredito que o nome de pouca influência será.
Se isso tudo realmente aconteceu? Meu querido leitor, esta que lhe escreve há tempos perdeu a noção do que é real e do que é imaginário. Vai ver criei isso tudo mesmo. Porém, duvido que minha imaginação pudesse ser tão doce comigo mesma.
Fazendo poesia em cada canto do ponto de vista dos diversos ângulos.
sábado, 16 de março de 2013
(04) Minha doce esquizofrenia
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